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Lições de 2025: Como o Mercado Imobiliário não parou (apesar dos juros a 15%!)

  • apredial
  • 2 de jan.
  • 3 min de leitura

Sem dúvidas 2025 foi um ano de paradoxos no setor de Real Estate brasileiro. Com a taxa Selic oscilando em patamares elevados – em torno de 15% ao ano – o crédito imobiliário se tornou mais caro e restritivo.


Mas, ao contrário do que se poderia esperar, o mercado não estagnou. Ele se reorganizou. Se você investe, pretende comprar ou apenas acompanha o setor, as lições de 2025 são cruciais para a sua estratégia em 2026.


Entenda como políticas públicas, mercado de capitais e a resiliência da alta renda sustentaram um avanço seletivo no país.


 O encolhimento da Classe Média e o desafio do crédito


O impacto mais sentido dos juros altos foi no segmento de médio padrão (imóveis na faixa de R$ 700 mil a R$ 1,5 milhão). Com taxas de financiamento de 13% a 14% ao ano, as prestações ficaram mais pesadas, e um grande volume de famílias foi excluído do acesso ao crédito.


Segundo a Abrainc, o encarecimento nos últimos anos chegou a tirar cerca de 800 mil famílias da elegibilidade para crédito em imóveis de R$ 500 mil.


A lição aqui é clara: em cenários de crédito caro, a liquidez e o volume de negócios tendem a se concentrar nas pontas da pirâmide..


Os dois extremos que sustentaram o mercado


Se a classe média sofreu, os extremos da pirâmide foram os motores do avanço seletivo em 2025:


O impulso do Minha Casa Minha Vida (MCMV)


O programa habitacional do governo assumiu o papel de principal alavanca do setor. Com orçamento recorde (cerca de R$ 180 bilhões) e previsibilidade, o MCMV ganhou volume e capilaridade.


Em grandes mercados como São Paulo, a fatia de lançamentos do programa saltou de 45% para incríveis 65% do total, segundo o Secovi-SP. A criação da Faixa 4 também permitiu que parte da classe média, antes excluída pelo alto custo do financiamento tradicional, fosse absorvida pelo programa.


A resiliência do luxo e superluxo


No topo, a alta e altíssima renda se mostraram imunes ao custo do crédito. Este público, menos dependente de financiamento bancário e ancorado em patrimônio acumulado, manteve o imóvel como um ativo real de preservação de valor.


O resultado? O Valor Geral de Vendas (VGV) de luxo e superluxo lançado em grandes capitais disparou mais de 120% em 2025, provando que projetos exclusivos e bem localizados sempre encontrarão demanda.


O Mercado de Capitais Antecipa o Futuro


Com a poupança perdendo fôlego como fonte de funding, o mercado se voltou para instrumentos como Fundos Imobiliários (FIIs), LCIs e CRIs.


A B3 registrou um desempenho notável:


  • IFIX (índice dos FIIs): Valorizou cerca de 17,5% em 2025, sinalizando o otimismo dos investidores.

  • Investidores em FIIs: Atingiu um recorde histórico de 2,9 milhões de pessoas.


Esse movimento não apenas garantiu o financiamento do setor, mas também antecipou o próximo ciclo. A alta dos FIIs e do índice IMOB (que acompanha as incorporadoras na Bolsa) reflete a crença de que a queda da Selic é apenas uma questão de tempo.


O que 2025 nos ensina para 2026


O ano que passou nos ensinou que o mercado imobiliário brasileiro é sustentado por uma demanda estrutural robusta (o déficit habitacional de 6 milhões de moradias). Mesmo com a adversidade dos juros, a atividade não parou.


O real estate encerra 2025 mais forte do que a economia sugeriria. Foi um ano de adaptação e seletividade.


A grande expectativa para 2026


Especialistas preveem que o próximo ano será de aceleração. O motivo? A precificação da queda da Selic.


Para a Abrainc, a cada 1 ponto percentual de redução na Selic, cerca de 160 mil famílias voltam a ser elegíveis para o financiamento habitacional. Isso representa um destravamento gigantesco da demanda reprimida.


Sua estratégia


Se você é um investidor, observe com atenção a liquidez e o desempenho dos FIIs. Se você é um comprador de classe média, fique de olho nas movimentações do crédito. Assim que as taxas começarem a ceder, a janela de oportunidade para fechar um negócio será reaberta.


2026 está posicionado para colher os frutos da resiliência e reorganização que 2025 plantou.


Fonte: https://forbes.com.br

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